segunda-feira, 7 de outubro de 2024

E que é a morte?

tua morte é não poder afagar a lã da tua nuca e beijar-te,
sentir o cheiro penetrante da tua pele na minha
tratar-te, passear entre as tuas coisas, arrumar-te enfim,
coisas tão simples como oferecer-te luxos

tua morte é procurar o teu olhar na multidão e não o haver
é estar na praia e confundir os sons alheios com os teus
ou entre o vento a fustigar os ramos num qualquer pinhal e, então,
virar-me de repente, tentando apanhar a réstea da visita que partiu

é não poder dizer-te que és sublime, doce e adorável
não me poder aquecer no teu corpo enroscados
não poder escolher um presente para ti
é não ter dia, não ter hora não ter nada

jorrem lágrimas altaneiras desta vez,
não das contidas e envergonhadas
quantas mais rolarem melhor,
mais rápido chegará o que já está para chegar

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