segunda-feira, 7 de outubro de 2024
E que é a morte?
tua morte é não poder afagar a lã da tua nuca e beijar-te,
sentir o cheiro penetrante da tua pele na minha
tratar-te, passear entre as tuas coisas, arrumar-te enfim,
coisas tão simples como oferecer-te luxos
tua morte é procurar o teu olhar na multidão e não o haver
é estar na praia e confundir os sons alheios com os teus
ou entre o vento a fustigar os ramos num qualquer pinhal e, então,
virar-me de repente, tentando apanhar a réstea da visita que partiu
é não poder dizer-te que és sublime, doce e adorável
não me poder aquecer no teu corpo enroscados
não poder escolher um presente para ti
é não ter dia, não ter hora não ter nada
jorrem lágrimas altaneiras desta vez,
não das contidas e envergonhadas
quantas mais rolarem melhor,
mais rápido chegará o que já está para chegar
sentir o cheiro penetrante da tua pele na minha
tratar-te, passear entre as tuas coisas, arrumar-te enfim,
coisas tão simples como oferecer-te luxos
tua morte é procurar o teu olhar na multidão e não o haver
é estar na praia e confundir os sons alheios com os teus
ou entre o vento a fustigar os ramos num qualquer pinhal e, então,
virar-me de repente, tentando apanhar a réstea da visita que partiu
é não poder dizer-te que és sublime, doce e adorável
não me poder aquecer no teu corpo enroscados
não poder escolher um presente para ti
é não ter dia, não ter hora não ter nada
jorrem lágrimas altaneiras desta vez,
não das contidas e envergonhadas
quantas mais rolarem melhor,
mais rápido chegará o que já está para chegar
todas as manhãs me pedes
poemas de amor, meu amor
como se brotassem de sebes
no meu caminho, sem tremor
mas não é assim que acontece
esta coisa da inspiração
é algo estranho que me desce
e me faz doer o coração
por isso evito escrever poemas
como evito os picos nas sebes
e outras dolorosas cenas
não sei se me percebes
pior quando é forte e intenso
o sentimento que sinto
não duvides que por ti é imenso
sabes bem que não te minto
portanto vais ter paciência
poupar o que já tem certa idade
as cicatrizes fecham sem ciência
os poemas abrem-as sem piedade
parece que mais este, e sem dores!
me conseguiste desta vez arrancar
distraíste-me, são mais uns amores
para o meu maior amor guardar
Outubro 2010
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